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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Welcome to reality.

*Para ler ouvindo esta

Aceitar que nem tudo é como você deseja...
                                                                                         sonhou

Que às vezes imaginamos
                                                                                   
                                                                                     demais
 

O que queremos é

                                                           inacessível

                                                                                                              no                                                                                                             
                                                                                                       momento
.


Esperar e Continuar.
                           Cair e levantar. Esperar.


Ver que a     dor     que você tanto reclama é o mínimo perto de coisas que      

                                                                                                            você
    


já passou.

                          Se sentir                                                                    
                                                                                                         forte e fraca

ao mesmo tempo e saber que de alguma forma isso é uma evolução de alguma coisa que alguem já explicou ou                                                   
 



                                                             tentou.


Que vai se tornar uma potência ou habilidade em algo que você ainda
                  não reconhece


e dar                                                                                    risada

daqui a uns 10
anos por ser uma coisa tão

                                                                              simples e que você se recusou a ver


a realidade.





domingo, 29 de abril de 2012

Foi, é e sempre será.

Ele: Muita coisa mudou...
Ela: Sim, mudamos.

Ele: Complicado isso!
Ela: Talvez... 
Ele: Senti a sua falta.
Ela: Também. Na verdade eu...
Ele: Tenho que ir. Até mais.
E ele saiu sem olhar para trás, rompendo a frase antes de acontecer. Ela sente o frio da despedida e com o nó na garganta acena um breve adeus e sabe que esta história não vai ter fim.

" Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
                                                                                                              Florbela Espanca"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cativar

Que quer dizer “cativar”?
- É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. Significa “criar laços”…
- Criar laços?
- Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Eu ♥ SP

  
    Oh! este orgulho máximo de ser paulistanamente!!!
Mário de Andrade

Sampa- Caetano Veloso



Lá vou eu - Rita Lee



Freguês da Meia da Noite - Criolo



Não existe amor em SP - Criolo



                  Parabéns, São Paulo!

                                        

                    


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Eu nunca fui de Poesia...

Mas é engraçado como as coisas podem mudar...


Os Três Mal-Amados - João Cabral de Melo Neto

Joaquim:
 
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia
"Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.